Jardim é coisa de homem? Alguns diriam que não, que as plantas e as flores são para mulheres. Eu não acho.
Quando era criança, ajudava a minha avó a arranjar a casa. Sobre tudo a fazer tarefas de alvanária, por exemplo consertar as lajotas do chão. E as vezes fazíamos as tarefas do jardim. Lembro de virar a terra, pôr cal nos árvores, podar, matar formigas.
Já de adulto, tendo minha própria casa, encontrei no jardim um lugar de relaxamento. Não só para descansar, mas também para fazer. Manter o jardim é ter contato com a terra. O fundo do quintal é para as cidades o elo perdido com a natureza. Ai eu encontro paz, e perco tempo, aliás é tempo bem perdido, portanto ganho.
A companhia ideal para o jardim, é a horta. Embora não tenha muito espaço, sempre é possível plantar num vaso alguma planta aromática. Caso que tiver mais espaço ate algumas legumes poderão ser plantadas. Que melhor que ter produtos frescos e orgânicos para cozinhar?!
Se eu tivesse mais tempo, gostaria de fazer mais coisas no quintal - ou tal vez o melhor seja ir pensando em me mudar ao campo!
Na hora de descansar, meu lar é no fundo, na rede rodeado de plantas. Pegar no sono à sombra da Santa Rita. Ler o jornal entre o cheiro das folhas, a grama cortada, as flores. Lá conservo com carinho um vaso feito por meu avô, que vovó me deu de presente.
O jardim é onde minhas raízes estão.
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Tentando escrever
Exercitando a escrita
em português encontro-me nesta situação de criar. Criar uma narração, uma crônica
ou apenas uma simples descrição. Escrever, não é difícil não, mas achar o tema,
ai está o verdadeiro desafio. Sempre gostei de desenhar, mesmo que não seja bom
desenhador. Porém a mesma coisa sempre aconteceu, não encontro o que criar no
papel.
Há dias que estou
lutando com a ideia de escrever alguma coisa interessante. Tentei várias
alternativas. Comecei por botar um par de ideias, ou coisas, e depois vincula-las.
Imaginar o cenário, as personagens e tal. Presidente, avião, acidente. Bicicleta,
vento. Mas que tenho a dizer? Nada
Tentei começar por escrever,
sem pensar de mais. Descrição de cenário, personagem e que estória flua. Mas
nada. O enredo nem começou.
Uma ideia brilhante
vem a minha mente - diretamente dum sono. E se eu escrever baseado num sono?
Bom material! Tem a ver comigo, tem a ver com as emoções, as fantasias. Ótimo!
Esses temas que se repetem, esses sonos de aventuras, cenários diversos, personagens
familiares; tudo a minha disposição! Fascinantes estórias, ao menos logo depois
de acordar, lembrar agora mesmo, não e fácil não.
Tal vez copiar sem
copiar, coisa que alguns chamam de inspiração. Teria que ler contos, muitos
contos, e prefiro os romances a ler contos curtos. Também não tenho tempo de
ler, só estou com vontade de escrever.
Que bom seria escrever
como Chico Xavier! Tal vez o espirito de Poe venha a minha ajuda. Escreveria “O
Urubu”. O bicho desde o lixão do meu bairro veria a se posar em o busto de um
herói antigo. Mas não, meu quarto ficaria assombrado e eu perdido na depressão do
augúrio do pássaro malfeitor. Ou que tal
uma narração espontânea sobre um grão de areia, o algo melhor que areia, um limão.
Limão que saborosas nossa cachaça, quanto temos te espremido, quanto mais vais
a aguentar! Melhor um conterrâneo, Onetti! Poderia cair em num Poço, mas seria
o mesmo poço de Onetti, e isso eu não posso. Ou junto a Cortazar desenhar um
novo jogo de amarelinha, porem perder-me-ia na trama da mesma forma que me
perdi lendo a Amarelinha original.
Acho que prefiro desistir de mágica que invadiu
ao Chico, melhor seguir nosso próprio caminho. Se Paul Auster escreve sobre escrever,
eu também posso. Fim.
domingo, 27 de maio de 2012
Spica
É difícil a vida na terceira idade, sobretudo nestes tempos. Não só vão
perdendo amigos e conhecidos como também as relações com as novas gerações complicam-se.
Minha avó sempre teve suas atividades
na casa. Quando éramos crianças ela cozinhava, trabalhava no quintal e até
fazia arranjos na casa que nem pedreiro. Sempre gostou de manter-se informada,
assistia à TV, conversava com suas conterrâneas. Tinha baixa visão por isso que
ficava bem pertinho da TV, escutando tudo e olhando o que ela puder. Mas seu
mais fiel companheiro era seu radio Spica. Ela possuía o radio desde que morava
na Rua Spikerman - acho que não era em honor ao fabricante do radio-, foi um
presente de seu filho maior.
Os anos são implacáveis e vão diminuindo
as possibilidades dos velhos. Ela já não podia fazer tarefas manuais e depois
já nem olhar a TV. Nos últimos anos o radio voltou-se indispensável para ela.
Eu gostava de sua companhia e
tentava compartilhar tempo com ela. Eu adorava escutar suas estórias de quando
era criança na Europa, mas ela não sempre tinha vontade de trazer lembranças duma
terra e tempos tão distantes. Portanto as conversas iam mais relacionadas com a
atualidade, da crônica policial ao futebol, tudo interessava a ela.
Seu radio Spica tinha se estragado
havia tempo, pelo que tinha um radio mais moderno. Com tudo o velho radinho
ficava em seu quarto, junto com os adornos, fotos e lembranças que ela
atesourava.
Depois que ela morreu eu fiquei como
seu radinho. Cada vez que a vejo lembro-me da minha vovó. Algum dia terei que
conserta-la e escutar as noticias nela para honrar sua memoria. Espero que seja
antes que as emissoras deixem de transmitir pelo éter.
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