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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Jardinagem não é bobagem

Jardim é coisa de homem? Alguns diriam que não, que as plantas e as flores são para mulheres. Eu não acho.
Quando era criança, ajudava a minha avó a arranjar a casa. Sobre tudo a fazer tarefas de alvanária, por exemplo consertar as lajotas do chão. E as vezes fazíamos as tarefas do jardim. Lembro de virar a terra, pôr cal nos árvores, podar, matar formigas.
Já de adulto, tendo minha própria casa, encontrei no jardim um lugar de relaxamento. Não só para descansar,  mas também para fazer. Manter o jardim é ter contato com a terra. O fundo do quintal é para as cidades o elo perdido com a natureza. Ai eu encontro paz, e perco tempo, aliás é tempo bem perdido, portanto ganho.
A companhia ideal para o jardim, é a horta. Embora não tenha muito espaço,  sempre é possível plantar num vaso alguma planta aromática. Caso que tiver mais espaço ate algumas legumes poderão ser plantadas. Que melhor que ter produtos frescos e orgânicos para cozinhar?!
Se eu tivesse mais tempo, gostaria de fazer mais coisas no quintal - ou tal vez o melhor seja ir pensando em me mudar ao campo!
Na hora de descansar, meu lar é no fundo, na rede rodeado de plantas. Pegar no sono à sombra da Santa Rita. Ler o jornal entre o cheiro das folhas, a grama cortada, as flores. Lá conservo com carinho um vaso feito por meu avô, que vovó me deu de presente.
O jardim é onde minhas raízes estão.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Tentando escrever


      Exercitando a escrita em português encontro-me nesta situação de criar. Criar uma narração, uma crônica ou apenas uma simples descrição. Escrever, não é difícil não, mas achar o tema, ai está o verdadeiro desafio. Sempre gostei de desenhar, mesmo que não seja bom desenhador. Porém a mesma coisa sempre aconteceu, não encontro o que criar no papel.
     Há dias que estou lutando com a ideia de escrever alguma coisa interessante. Tentei várias alternativas. Comecei por botar um par de ideias, ou coisas, e depois vincula-las. Imaginar o cenário, as personagens e tal. Presidente, avião, acidente. Bicicleta, vento. Mas que tenho a dizer? Nada
     Tentei começar por escrever, sem pensar de mais. Descrição de cenário, personagem e que estória flua. Mas nada. O enredo nem começou.
     Uma ideia brilhante vem a minha mente - diretamente dum sono. E se eu escrever baseado num sono? Bom material! Tem a ver comigo, tem a ver com as emoções, as fantasias. Ótimo! Esses temas que se repetem, esses sonos de aventuras, cenários diversos, personagens familiares; tudo a minha disposição! Fascinantes estórias, ao menos logo depois de acordar, lembrar agora mesmo, não e fácil não.
     Tal vez copiar sem copiar, coisa que alguns chamam de inspiração. Teria que ler contos, muitos contos, e prefiro os romances a ler contos curtos. Também não tenho tempo de ler, só estou com vontade de escrever.
     Que bom seria escrever como Chico Xavier! Tal vez o espirito de Poe venha a minha ajuda. Escreveria “O Urubu”. O bicho desde o lixão do meu bairro veria a se posar em o busto de um herói antigo. Mas não, meu quarto ficaria assombrado e eu perdido na depressão do augúrio do pássaro malfeitor.  Ou que tal uma narração espontânea sobre um grão de areia, o algo melhor que areia, um limão. Limão que saborosas nossa cachaça, quanto temos te espremido, quanto mais vais a aguentar! Melhor um conterrâneo, Onetti! Poderia cair em num Poço, mas seria o mesmo poço de Onetti, e isso eu não posso. Ou junto a Cortazar desenhar um novo jogo de amarelinha, porem perder-me-ia na trama da mesma forma que me perdi lendo a Amarelinha original.
    Acho que prefiro desistir de mágica que invadiu ao Chico, melhor seguir nosso próprio caminho. Se Paul Auster escreve sobre escrever, eu também posso. Fim.

domingo, 27 de maio de 2012

Spica

É difícil a vida na terceira idade, sobretudo nestes tempos. Não só vão perdendo amigos e conhecidos como também as relações com as novas gerações complicam-se.
            Minha avó sempre teve suas atividades na casa. Quando éramos crianças ela cozinhava, trabalhava no quintal e até fazia arranjos na casa que nem pedreiro. Sempre gostou de manter-se informada, assistia à TV, conversava com suas conterrâneas. Tinha baixa visão por isso que ficava bem pertinho da TV, escutando tudo e olhando o que ela puder. Mas seu mais fiel companheiro era seu radio Spica. Ela possuía o radio desde que morava na Rua Spikerman - acho que não era em honor ao fabricante do radio-, foi um presente de seu filho maior.
            Os anos são implacáveis e vão diminuindo as possibilidades dos velhos. Ela já não podia fazer tarefas manuais e depois já nem olhar a TV. Nos últimos anos o radio voltou-se indispensável para ela.
            Eu gostava de sua companhia e tentava compartilhar tempo com ela. Eu adorava escutar suas estórias de quando era criança na Europa, mas ela não sempre tinha vontade de trazer lembranças duma terra e tempos tão distantes. Portanto as conversas iam mais relacionadas com a atualidade, da crônica policial ao futebol, tudo interessava a ela.
            Seu radio Spica tinha se estragado havia tempo, pelo que tinha um radio mais moderno. Com tudo o velho radinho ficava em seu quarto, junto com os adornos, fotos e lembranças que ela atesourava.
            Depois que ela morreu eu fiquei como seu radinho. Cada vez que a vejo lembro-me da minha vovó. Algum dia terei que conserta-la e escutar as noticias nela para honrar sua memoria. Espero que seja antes que as emissoras deixem de transmitir pelo éter.